O
programa Times Autogerenciáveis, ou Tag, foi aplicado
na fábrica de Itu, no interior de São Paulo,
há dez anos. Os resultados já se multiplicam:
5% de acréscimo na capacidade produtiva, 100% de desperdício
eliminado em uma das linhas de produção e 70%
no aumento de profissionais promovidos.
O
sistema elimina cargos intermediários entre gerentes
e operadores. Assim, as equipes se tornam autogerenciáveis,
ou seja, conseguem atuar mesmo sem a presença de um
líder. “Capacitamos os funcionários da base
para execução de processos antes realizados
pelos supervisores”, explica Luís Fernando Bettanin,
gerente de manufatura da Pepsico.
O
treinamento é parte fundamental para que o programa
dê bons resultados. “Dar autonomia a quem não
está preparado é a chave para o fracasso”, afirma
Bettanin. Pensando nisso, as turmas são preparadas,
avaliadas e o feedback é constante. “O treinamento
acontece em dezembro, e eles assumem as funções
a partir de janeiro, ao longo de um ano.”
Durante
esse período, as primeiras atribuições
dizem respeito a recursos humanos, como organização
das férias do grupo. Gradualmente, outras atividades
são incluídas, como o controle da produção.
No final do ano, os operadores são avaliados e promovidos
a uma nova atividade, de acordo com a pontuação.
“Com o tempo, teremos equipes cada vez mais qualificadas e
completas”, garante Bettanin.
Alexandre
Dutra, por exemplo, é operador nível 7, grau
mais alto dentro de sua função. Tem 35 anos
e começou no nível 3. Ele lembra que no início
do programa teve um pouco de medo do que iria acontecer. “Eu
trabalhava na Pepsico desde 1995, mas era muito jovem quando
a Tag começou a ser aplicada, em 2001, e não
percebia que o resultado seria a longo prazo”, conta.
Para
garantir adesão dos funcionários ao programa,
a Pepsico também garantiu que o quadro de vagas se
mantivesse. “Aqueles que ocupavam cargos de supervisão
foram realocados e não precisamos demitir, houve apenas
uma rotatividade no comando”. Além disso, a remuneração
aumenta a cada nível a fim de motivar o funcionário.
“Um operador pode chegar a ter salário três vezes
maior do que o valor que recebia quando foi contratado”, afirma
Bettanin.
Com
os incentivos, o operador Dutra voltou a estudar recentemente.
Está no segundo ano de Administração
e diz que já não se identifica com o modelo
antigo de gestão. “Acho arcaico ter receio de falar
com o superior. Hoje, me sinto reconhecido, motivado e tenho
novas metas."
Fonte:
Brasil Econômico