A estratégia
de oferecer embalagens pequenas, com preço final ao
consumidor por volta de R$ 1, foi consolidada pelas fabricantes
de cerveja no Brasil, como apelo para atrair os consumidores
durante o Carnaval. Os primeiros meses do ano, que compreendem
parte do verão e o Carnaval, representam em média
de 20% a 30% do volume anual de vendas de cerveja.
Douglas
Costa, diretor de marketing da Petrópolis, conta que
o consumo individual, típico da festividade, a facilidade
de transporte e o preço ajudam a explicar porque as
garrafas e latas menores foram adotadas pelo setor. O grupo
lançou no mercado este mês as versões
com 269 ml das latas de Itaipava Pilsen e Crystal Pilsen.
A Ambev,
que já tinha adotado a estratégia em 2009, com
latas de 269 ml para a Skol, Brahma e Antártica, introduziu
no mercado, no final do ano passado, a versão 250ml
da garrafa de Skol. Enquanto a versão 355 ml da bebida
é vendida por cerca de R$ 1,70, a embalagem menor custa
um pouco mais de R$ 1.
“A mudança
nas embalagens é uma tendência sem volta. Esse
processo teve um boom há três anos. Alguns saíram
na frente e agora os demais fecharam esse ‘gap’ na indústria”,
diz Jean Jereissati, diretor de eventos da Ambev.
Outras
duas empresas que também incorporaram as embalagens
pequenas em seus portfólios no final de 2010 foram
Schincariol e a Heineken Brasil. A Nova Schin 250 ml foi anunciada
em dezembro, com foco de produção voltado para
a região Nordeste. Já a Kaiser Shot 250 chegou
ao mercado um mês antes. Todas as embalagens menores
têm preço que giram em torno de R$ 1.
“O preço
da bebida cabe no bolso do consumidor naquele momento específico
do consumo, na festa, por exemplo”, explica Jorge Kawalski,
diretor nacional de vendas da Heineken, sobre a relação
custo benefício das embalagens menores para os consumidores.
De acordo
com Rafael Cintra, analista da Corretora Link, a perspectiva
para o Carnaval é muito positiva para as empresas do
setor, que ainda se beneficiam com o verão “estendido”
deste ano. “Com o Carnaval só em março, as empresas
aproveitam o longo período de demanda fortalecida”,
observa. Cintra aponta ainda para um possível reajuste
nos preços das cervejas, devido a elevação
dos preços das matérias-primas. Em 2010, o preço
da cerveja subiu 7,74% de acordo com o IPCA, medido pelo IBGE.
Fonte:
Valor Econômico