A
gigante de agronegócios Cargill Inc. planeja vender
o controle da produtora de fertilizante Mosaic Co., numa transação
avaliada em cerca de US$ 24,3 bilhões, disseram pessoas
a par da questão.
Um
acordo poderia ser anunciado, disseram, mas alertaram que
as negociações, que estão em andamento,
podem demorar mais tempo para chegar a um termo.
A
transação prenuncia uma reorganização
significativa da Cargill, ume empresa de capital fechado que
é uma das maiores, mas menos conhecidas, empresas americanas.
O
acordo deixaria a Mosaic, uma das maiores produtores de fosfato
e potassa do mundo, sem um acionista controlador e a tornaria
mais atraente para possível compradores, disseram as
pessoas a par da questão. A Mosaic, sediada em Plymouth,
no Estado americano de Minnesota, tem valor de mercado na
faixa de US$ 38 bilhões.
As
empresas envolvidas na produção de nutrientes
agrícolas são vistas como alvos atraentes para
aquisições, devido à demanda crescente
por alimentos em países como a China e as restrições
na oferta mundial de comida.
Empresas
como a BHP Billiton Ltd., que fez uma oferta fracassada de
US$ 38,6 bilhões para comprar a canadense Potash Corp.
of Saskatchewan, e a Vale S.A., que tem ampliado suas operações
em fertilizantes, podem estar interessadas na Mosaic, acrescentaram
as pessoas.
A
Cargill tem 286 milhões de ações da Mosaic,
ou cerca de 64% dela, o que dá a sua participação
um valor em torno de US$ 24,3 bilhões com base na cotação
de cerca de US$ 85 da Mosaic, no pregão de 18/01.
A
transação é estruturada para minimizar
os impostos para todas as partes. A companhia planeja oferecer
sua fatia na Mosaic para acionistas da Cargill em troca de
ações da Cargill.
A
Margaret A. Cargill Foundation e outras entidades da família
dos fundadores são os maiores acionistas envolvidos
na transação, disseram pessoas a par da questão.
Depois
de receber as ações da Mosaic, os acionistas
têm a opção de vendê-las, seja no
mercado aberto ou para compradores privados, possivelmente
incluindo fundos soberanos, disseram as pessoas.
A
Cargill também vai quitar algumas dívidas, trocando-as
por ações, acrescentaram, o que reduziria o
serviço da dívida e melhoraria o balanço
da empresa.
O
acordo representa um retorno fabuloso para o investimento
inicial da Cargill na Mosaic, criada no início de 2004
pela diretoria da Cargill com a combinação de
seus ativos de fertilizantes no valor de US$ 1,7 bilhão
com a IMC Global Inc. uma gigante dos fertilizantes que na
época era deficitária.
A
venda da Mosaic seria a mais recente medida da empresa para
recompensar seus donos se esquivando da única opção
que sempre foi proibida para a empresa: abrir o capital. Os
gerentes da Cargill argumentam há muito tempo que deixar
o capital fechado os ajuda a navegar os voláteis mercados
de commodities sem ter que lidar com as expectativas de curto
prazo de Wall Street.
A
Cargill, que gerou faturamento de US$ 107,9 bilhões
no ano fiscal encerrado em 31 de maio de 2010, é uma
das maiores empresas de capital fechado dos EUA. Suas operações
abarcam muitas atividades agrícolas mundiais, de matadouros
de suínos dos EUA à exportação
de produtos agrícolas para a China e o beneficiamento
de algodão na África.
A
maioria das ações da empresa, fundada há
145 anos, está em poder das centenas de descendentes
das famílias fundadores MacMillan e Cargill, unidas
pelo casamento há mais de um século.
A
Cargill foi fundada por William Wallace Cargill, filho de
um capitão naval escocês, que abriu negócio
de silos no Estado de Iowa em 1865. Muitos descendentes fizeram
carreira na empresa, geralmente começando de baixo
em locais afastados do globo. A frugalidade da família
era legendária. Apesar do tamanho sempre crescente
da Cargill, os dividendos eram modestos e os familiares geralmente
vendiam as ações a uma fração
de seu valor potencial.
Mas
nas últimas décadas uma parte cada vez maior
do trabalho dos executivos do alto escalão da Cargill
tem sido administrar as vontades financeiras dos donos mais
jovens, dos quais muitos resolveram fazer carreira fora da
empresa. O último diretor-presidente da família
foi Whitney MacMillar, que se aposentou em 1995.
A
partir dos anos 90, a empresa afrouxou sua fórmula
de dividendos, colocou membros mais jovens da família
no conselho e criou um plano de pagamento em ações
para os funcionários, criando um meio de a família
vender algumas ações. Cerca de 25.000 empregados
da Cargill controlam hoje 7% da empresa graças a esses
planos.
A
Cargill tem um longo histórico de investir em negócios
quando caíram do gosto da maioria dos investidores.
A Cargill criou a Mosaic em 2004, quando os mercados mundiais
de grãos estavam em baixa e o preço do fertilizante
tinha caído.
A
Cargill se beneficiou do boom mundial de grãos, em
parte exportando mais produtos agrícolas. Mas o impacto
maior em seus resultados veio de sua fatia majoritária
da Mosaic, cuja ação já dobrou desde
junho. A Cargill divulgou que seu lucro líquido do
segundo trimestre fiscal, encerrado em 30 de novembro, triplicou
para US$ 1,49 bilhão frente a um ano antes. Cerca de
44% do lucro da Cargill veio da Mosaic.
A
Cargill anunciou lucro de US$ 1 bilhão no segundo trimestre
fiscal de 2011, ante US$ 107,8 milhões no mesmo período
de 2010. A Mosaic teve faturamento líquido de US$ 2,7
bilhões no segundo trimestre fiscal de 2011, ante US$
1,7 bilhão no mesmo período do ano passado.
Os
futuros resultados da Cargill ficariam mais modestos sem a
colaboração da Mosaic, mas o lucro da venda
pode ajudar a empresa a realizar mais aquisições
em áreas diferentes. Embora a alta dos grãos
esteja impulsionando o lucro de muitas empresas agrícolas
e de alimentos, ela também está criando dificuldades
financeiras para muitas empresas, aumentando a necessidade
de capital de giro e tornando-as mais vulneráveis a
tentativas de aquisição.
Fonte:
Wall Street Journal